Intercâmbio Cultural Aiesec – A história de Leticia Sales e suas conquistas

A Letícia participou de um intercâmbio cultural Aiesec, e a partir desta experiência ela descobriu um universo multicultural e especial morando na Índia.


Essa sonhadora e conterrânea conta sua história que se iniciou em um Intercâmbio cultural da Aiesec a fundadora da ONG Happee, trabalhando com artesãos indianos e ajudando crianças carentes ela desbravou terras desconhecidas. Confira:

Quem é você?
Meu nome é Letícia Sales, nasci e fui criada em Londrina e fui para São Paulo aos 19 anos para fazer faculdade de moda. Hoje tenho 30 anos e moro na Índia há 4 (Sim, Isso mesmo. 4 anos!). Vim parar aqui através da AIESEC, uma organização internacional sem fins lucrativos que visa promover a liderança em jovens através de experiências de intercâmbio voluntário ou remunerado.


Conte sobre sua história com intercâmbios e como aconteceu? 

A AIESEC é ótima para vagas em gestão, engenharia, marketing, recursos humanos…então quando eu me cadastrei, não esperava encontrar nada em moda. Na verdade, estava saturada do jeito desumano de fazer moda que predomina em todo o mundo, e estava aberta a novas possibilidades de mudança de país, de área, de vida.

Essa época foi logo após o famoso caso do estupro coletivo em Delhi, então não queria vir para a Índia de jeito nenhum. Mas na AIESEC tem um ditado que não é você que escolhe o país, é o país que te escolhe. E isso é muito verdade! Após meses aplicando pra vagas em diversas áreas em diversos países na Europa e América do Norte e sendo rejeitada em todas, resolvi abrir meu leque de opções e comecei a aplicar para países como Turquia, Índia, Sri Lanka, Vietnã.

Curiosamente, comecei a encontrar várias vagas na área de moda. Havia uma pessoa na Índia que me mandava e-mails desde o meu primeiro dia cadastrada na AIESEC, para trabalhar em uma empresa em Jaipur que fabrica e exporta roupas para marcas do mundo todo. Ao mesmo tempo, descobri um projeto na Itália, também para trabalhar com moda, que duraria 6 semanas.

Resolvi aplicar para os dois, e fui aceita nos dois ao mesmo tempo, no mesmo dia! Tive que negociar com meus chefes na Índia, pois na Itália o projeto tinha data fixa. Foi algo incrivelmente louco, mas quando algo é para dar certo, o universo conspira a seu favor. E assim foi comigo! Em uma questão de duas semanas, havia pedido demissão do meu emprego, ido atrás de passagem (só de ida), seguro viagem, vacina, pagar as taxas da AIESEC, visto, ufa! Uma imensa correria, e meu visto de trabalho chegou dois dias antes de eu embarcar para a Itália! De lá vim direto para a Índia, aonde eu ficaria 8 meses. De lá para cá, 8 meses viraram 4 anos, recém-completados em Julho.

Como foi se adaptar e morar na Índia?
Morar na Índia é uma overdose para a cabeça e os sentidos. Uma explosão de barulho, cores, movimento, novos sabores (muita pimenta), novas religiões, novos idiomas (não é apenas um como no Brasil), novas paisagens, arquitetura, história, tudo! É completamente diferente de viajar para um país ocidental, onde você já conhece ou já está relativamente familiarizado com os hábitos e locais.

Quem vem para cá sofre para se acostumar com o choque cultural. Há pessoas que não ficam uma semana, desistem de tudo e voltam para casa. Mas o tempo passa, e você começa a ver esse lugar incrível com novos olhos. Você percebe que há algo de intrigante nessa religião tão diferente, nessas construções de mais de 1000 anos (a cidade de Varanasi foi construída 2000 anos atrás!), em ir ao mercado e ver ingredientes e temperos deliciosos dos quais você nunca tinha ouvido falar – como passei tantos anos da minha vida sem experimentar dalmakhani (um delicioso prato feito com lentilhas pretas, especiarias e creme de leite)? Como é possível que há danças em quase todos os filmes, e grande parte da indústria musical aqui gira em torno das músicas dos filmes?


Trajes indianos usados pela Intercambista Letícia Sales

É uma cultura tão antiga com uma história tão rica e tão bem preservada até os dias atuais que, eventualmente, você abre a mente, o coração e os olhos para vivenciar na pele e entender porque tudo é assim. E aí você passa a amar tudo isso. Você deixa de ligar para o barulho, para as pessoas te encarando, para a comida apimentada. Você passa a sentir cada aroma, cada sabor em cada prato, se apaixona por cada ponte, templo, palácio, passa a balançar a cabeça como eles (aquela mistura de sim, não e talvez, tudo junto em um único movimento da cabeça).


Como era o seu nível de Inglês e como é o nível dos indianos? 

O Hin-glish? Aaaah, o Hinglish! Aquela curiosa mistura de hindi e inglês em uma única conversa. Na Índia, uma grande parcela da população fala inglês, devido à colonização britânica e ao fato de cada região do país falar um idioma diferente. Aliás, o inglês também é língua oficial aqui, mas o sotaque e as especificidades do inglês indiano tornam o difícil de compreender a princípio. Você faz uma pergunta e conta com aquela balançada de cabeça para entender a resposta, mas daí você percebe que não sabe se aquela balançada foi um sim, um não, ou qualquer outra coisa (risos).

Indicaria o intercâmbio cultural na Índia?
Recomendo a Índia 100% para quem quer viver uma experiência diferente, para quem quer ver o mundo de verdade. Não aquele mundo que brasileiro gosta de babar ovo (Estados Unidos, Europa, etc), mas o mundo onde a maior parcela da população realmente vive. A maior parte da população mundial está na Ásia, na Índia grande parte das pessoas vive abaixo da linha da pobreza, e há algo incrivelmente humanizador em vivenciar tudo isso. Recomendo a Índia para quem quer ampliar os horizontes, mudar completamente seu espírito, sua forma de ver as pessoas e o mundo, recomendo para quem quer entender a linda diversidade que existe no mundo, e que nos países em desenvolvimento, frequentemente as pessoas são mais felizes, vivendo uma vida mais simples com menos.

Mensagem da Letícia para os futuros intercambistas:

“Não é para todo mundo. Mas todo mundo que se propõe a vir e ficar muda sua alma e sua vida para sempre”. <3

 

 

 

Você deve estar curioso para saber sobre a Ong Happee, não é mesmo?
Vamos deixar para o próximo post, mas você pode dar uma olhadinha no site e conhecer mais a respeito do trabalho da Letícia e se quiser ajudar adquirindo os produtos incríveis fique à vontade, a Letícia e todas as crianças impactadas por essa linda ação agradece!

Site>>>> www.iamhappee.com